Coisas do Gênero


07/01/2007 22:05
caixinha de pandora

espelho, lupa, apontador...
queria tanto encontrar meu lapis,
mas perdi o trem.

aila

enviada por noz



07/01/2007 21:58
De quatro...

Como vou fazer sem ti pra me ouvir?
Com quem mais compartilhar essa paixão, que é só tua?
Te quero tanto que me dói.
Que me afasta.
Que me atrai.
Que me assusta
Caí de paixão, este é o fato.
Caí de quatro.

enviada por noz



07/01/2007 21:55




O lírio e o pão I

Toda a fome
Não prescinde uma janela,
Alguma réstia de sol...

O lirio e o pão II

no belo e no útil,
razoes distintas,
verdades contingentes.


enviada por noz



07/01/2007 21:39
ritual

o lume da madrugada
acolhe corações ardentes
em dialeto que se traduz,
em meio ao grande silêncio

tempos em tempos...

vertentes pelas ruas, passarelas,
tão vermelhas quanto outrora,
ainda tingem a terra, rosicler
escoam pelo rio, corredeira
ainda fazem turva cada aurora...

liberdade, liberdade!

desperto,
o dia revela cicatrizes encarnadas
mapas de dores tatuadas sobre a carne,
silêncios costurados pelos caminhos d´alma.

aos quatro ventos, o rufar dos tambores abre passagens.

aila magalhães

enviada por noz



07/01/2007 21:26




I s a u r a

filha de Isabel,
a que jamais desistiria
do ouro alquímico,
fundido no cadinho do dia-a-dia,
sob o fiel fogo da vontade,
sob esperança tingida de estrelas.

de onde surgiu tanta energia, eu sei.
brotou da terra, que cavaste com as mãos,
enquanto semeavas pequenos sonhos.

desceu dos céus, onde pousaste os olhos em breves
momentos de incerteza, para em seguida enxugar a testa
com as costas das mãos e concluir mais um momento.

nasceu do próprio ventre, dos frutos de tua carne,
nós, herdeiros de teus planos.

escolheste ser árvore, e fincaste raízes no mais
profundo dos solos em busca da água que alimentou tuas
sementes.

ao decidir ser hora de conhecer o mar, coseste
cuidadosamente as asas de teus passarinhos e os
lançaste ao vôo, não sem antes ensinar-lhes sobre os
frutos que alimentam o corpo e a beleza que alegra a
alma.

hoje, distante a ainda assim tão próxima.
hoje, ausente, e ainda assim tão vida.


aila,
bisneta de luiza, neta de isabel, filha de isaura, mãe de marina, avo de beatriz.

(ontem, ao abrir um livro antigo, não me contive e chorei ao ler um pequeno
cartão escrito por minha mãe em 03 de maio de 87, que dizia:
"não sei se sabes o quanto te amo. se não sabes, não importa. basta que eu mesma
saiba." (Isaura)

o poema foi escrito em março do ano passado, quando D. Isaura faria 84 anos.
depois do choro, a alegria por de ter podido dizer-lhe e mostrar-lhe que sabia o
quanto era amada e o quanto a amava.

enviada por noz



07/01/2007 21:22



enviada por noz



07/01/2007 21:21
g de que?

não fede, nem cheira,
mas fode.
às vezes se esconde,
noutras explode
no peito, bem fundo,
no bico, na boca do mundo,
na palma, na polpa,
no canto do olho,
na ponta do dedo, raiz do cabelo,
no bicho de pé...
meu ponto g,
solitário, sem h,
que bicho estranho!
ora ardente, ora abstinente,
se louco, grita (quase urro)
por pouco, não.
meu ponto g, meio imbecil, meio normal,
tão passional,
tão coração!

aila magalhães



enviada por noz



07/01/2007 21:18




algo assim...


meio amor, meio tesão
paz e tormenta,
febre, sezão.

prefiro então amar-te
como um barco a navegar
as águas mansas de um lago

eu não te encharco
tu não me afundas

ama-me como a brisa ao coqueiral...
dá-me notícias, pequenos beijos,
embaraça aos meus cabelos nossa canção...

tu não me prendes
e eu não te perco
e eu não te esqueço.

enviada por noz



07/01/2007 21:14
sem título

analítico, sintetizo-me:
ponto de interrogação.
sem entender, de mim,
demito-me.
breve, muito breve,
voltar a ser o que fui
sem saber
se fora
se fato
se furo...
fotografia.
das lentes míopes, olhos diários
bordados de água.
pálida, a vida
ávida, a lida
famintas, minhas tripas,
minhas tripas,
a vertigem.

des_escalo
des_espero
des_animo
des_atino

des_culpem-me. a poesia desistiu de mim.


enviada por noz



07/01/2007 21:13




do início ao meio

inexorável,
o tempo poupa as pegadas
e destrói as pontes...

enquanto o vento, este,
apiedado, redemoinha
por entre olhares pretéritos,

sob o dossel, alerta,
a mão conduz a flecha,
que certeira alveja o futuro.

exangue, dissipa-se o passado
tapete rosicler
sobre a estrada de terra batida.

aila magalhães

enviada por noz



07/01/2007 21:10


memória cache...


memória cache, ou,
receita para um amor interminável...

comece pela nuca
e com a ponta dos dedos,
delineie-me os lábios...

do prato de jantar,
recolha-me folha, carne, flor,
lubrificada em azeites virgens

experimente cada pedaço,
como se fosse o único,
mesmo que seja o último...

depois de tudo, o canto das cigarras,
executado em sinfonia,
eterno enquanto dure...

aila magalhães


nota:

Tradicionalmente, em outubro ou novembro, a cigarra sai do solo. O macho vai para as árvores, canta e atrai a fêmea para o ritual do acasalamento. Logo depois, ele morre e as fêmeas saltam para as árvores, colocam seus
ovos que viram larvas, caem no solo, penetram na terra e ficam sugando a seiva da árvore durante três a quatro anos, até recomecem seu ciclo.




enviada por noz



07/01/2007 20:59
de que me vale...


De que me vale o poema?

A parede branca se estende à minha frente e se espicha, qual espigão tombado,
sem portas sem janelas, onde não se entra, de onde não se sai.
Parede, que se chama muro.
Penso sobre o muro e salto.
Qual poesia sobreviveria neste vazio preenchido de concreto?

Muro
Murro
Morro

Examino o muro com meus olhos de poeta: aparentemente branco, apenas.
A cal guarda o cheiro da terra respingada pelo suor dos homens.
Aqui e ali, vejo sonhos rabiscados no nome da mulher amada,
Aqui e ali, adivinho revoltas expressas no tijolo mal assentado,
Vez por outra, uma porta semi-aberta no reboco que racha solidário à
liberdade.

Quem dera uma janela...

A muralha da China pode ser vista da lua
O muro de Berlim tombou de portas fechadas
A fronteira do México parece segura
Judeus e muçulmanos lamentam por Israel.

Quem dera um machado...

“Trabalhadores do mundo inteiro, divirtam-se”...
Longe dos muros de Paris,
minha pequena Guernica não tem as cores de Picasso,
apenas mestres sobre os quais cuspiria Waters
aqueles mesmos que assombraram Munch
e fritaram a orelha de Van Gogh no óleo de girassol

Quem dera um pincel...

Sem janela, sem machado, sem pincel,
restam-me poucas certezas,
um muro branco, aparentemente, apenas,
e um velho disco do Pink Floyd

Quem dera agora um poema.

Aila Magalhaes

enviada por noz



07/01/2007 20:45




Parcas (Moiras) - Filhas de Júpiter (Zeus) e Têmis, personificam o destino. Eram três : Cloto, a fiandeira, tecia o fio da vida de todos os homens, do nascimento à morte; Láquesis, a fixadora, determinava-lhe o tamanho e enrolava o fio, estabelecendo a qualidade de vida que cabia a cada um; e Átropos, a irremovível, cortava o fio quando a vida que representava chegava ao fim.

Vem noite, vem!

Que crepitem os velhos ossos
que ouricem-me a pele todos os ventos
Zéfiro! Noto! Euro! Boreas!

Possa o fogo de Prometeu
Transformar em brasa
Essa fogueira tépida
esse dia que escorrega cálido sobre mim.

Vem Ares, vem!

Que possa tua flecha perfurar
Os dedos hábeis de Cloto
Tingindo de encarnado o novelo da paixão

Vem ...
enviada por noz



07/01/2007 20:35
do avesso

desconstruir a poesia
torná-la hoje,
simples rotina.

temperar bifes escarlates
tenros feito folhas jovens de alcachofra
(nem tão rotineiro assim)

desenhar riachos de azeite
no fundo da caçarola
interromper o curso vez por outra
com a ponta do dedo indicador

adocicar perigosamente a boca
na lata semiaberta de leite condensado
sorver cada caloria como se fosse a última...

aproveitar a chuva
e desfilar em meias e camiseta
( cabelos molhados da bica do quintal).

fazer amor às quatro da tarde
deixar o banco pro dia seguinte
ganhar desconto no ingresso do cinema
encontrar a blusa azul, sumida há uns quatro meses...

depois, nada demais...
um entardecer sem chuva
de céu laranja,
de mar calminho,
de lua cheia,
de abraço forte,
e beijo com sabor de até amanhã.

aila magalhães


enviada por noz



07/01/2007 19:32







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jazz, melancias e algum propósito

é possível (creio nisso)
fazer do espaço
uma dimensão diversa daquela que lhe atribuem
a maioria dos terrenos,
aqueles seres normais, seres super-normais,
do tipo que adora melancia
e odeia jazz...(ou vice-versa).

é também possível
fazer do tempo objeto de pouca valia
- coisa impensável para os tais terrenos - time is money, honey...
afinal, tais seres,
seres super-normais e pouco etéreos,
estão repletos de passados e presentes
do tipo que dorme cedo
para então cedo acordar
num futuro que não sabe se virá
ou se verá.
(vi_verei? vi_verá?)

ai, que enfadonho
esse modus peripatetikos
de embrenhar-me pelas veredas
e, descuidada, perder-me por trilhas cheirosas
de florinhas quase azuis, frutinhas e mel...
(mencionei frutinhas, para excluir as melancias).

perdoa, pois, essa rasa metafísica
que tanto busca, mas afrouxa o passo
logo que encontra uma resposta breve
na simples sombra de um vago olhar
(reflexo?)

estarei por acaso
feito um narciso disfarçado,
receosa das águas do lago
que no final das contas, poderia por tudo a perder?

e em assim sendo,
o que fazer das coisas por fazer,
da manhã sonolenta,
do desgosto terreno
do terrível vazio,
do propósito não descoberto?



enviada por noz



30/04/2006 18:23
Devota

pouco rezava
namorando atrás da igreja,
compensava.

sem ser santo,
era divino a cada beijo
e o “ai, meu deus!”, já corriqueiro

menino bom, aquele
gostinho doce
na boca da noite

como fosse penitência,
mal tocava o sino, a ladainha começava
e o padre não sabia da missa um terço...

aila magalhães

enviada por noz



30/04/2006 18:17





Inter vivos

ai de mim, que não sei dizer
palavra-favo
puro mel escorrendo sobre a língua

ai de mim, que não sei calar
palavra-fel
espinha de peixe entalada na garganta

ai de mim, que não sei conter
o bem-te-quer
primavera sob chuvas de verão

ai de mim, cansada de nadar
rio intermitente
não chega ao mar...



U man, Woman!

ahead, around, behind
over there wrong, somewhere right
hungry, angry, pretty quiet
from the shinning morning till the hot night
in a dark look or a bright smile,
some love, so fight!

sometimes beans, sometimes rice
black, red, yellow, white
women
who? where? why?

my mother
my grand
my daughter
my son?
my aunt
my sister
my friend
my own!

woman
sometimes lives, sometimes dies
sometimes laughs, many times cries

woman, around, ahead, besides
from the hell to the skies
with no voice, sounds out loud
in my heart, in my mind, through my eyes
woman, so nice...

Aila Magalhaes


Transmutante

quero um poema amoroso,
mas são palavras esquálidas, desidratadas,
um tanto pálidas,
que me aparecem recostadas à velha e tosca cerca de lenha e arame farpado.
(confesso que não sabia dos espelhos).
ainda assim, desejo ardentemente um poema apaixonante,
de arrepio pela nuca, calor nas partes, secura pela boca.
distraem-me as tangerinas sobre a mesa
de cheiro cítrico,
tão limpas quanto não pode ser esse poema.
contento-me então com um poema enganador
e escuto sinos de vento no meio da madrugada,
já se inundam os lençóis do cheiro morno de teu corpo
e um sussurro tomando corpo preenche qualquer vazio.
- chega!


enviada por noz



12/09/2005 01:31



variável


não, não desejo abrir mão de minhas dúvidas,
não quero sol todos os dias
nem chocolate todas as noites.
ou sexo.

erra, redondamente, quem me esperar doçura apenas.
trago um pé de tamarindo bem plantado no peito,
regado pela chuva e por marés
que como eu, vão e voltam.

gosto de voltar e, para tanto, preciso ir.

claro que tenho convicções, algumas até bem fortes.
sou contra pena de morte,
desprezo a inveja
abomino armas.
acredito no amor
todos carregam em si o bem e o mal .

meu forte, contudo, são as dúvidas.
haverá vida após a morte?
quem sou eu?
prosa ou verso?
outono ou primavera?
azul-turquesa ou verde-água?
agora ou nunca?

choro fácil.
rio fácil.
dificilmente esqueço, mas sou capaz de perdoar.
sou gentil, mas viro bicho vez por outra.
sou meio bicho, na verdade.
mas só meio.

tenho muitos sonhos
gosto de gente e também de estar só
prefiro mar e campo,
gosto de árvores e estrelas
mas abduzida, iria querer voltar.

não sei se sou feliz,
mas não acho que seja infeliz
então sigo cutucando a onça
com vara curta, mas não muito.
deu pra entender?

Aila Magalhães



Duc in altum


Lança-te ao mar,
esquece os lilases!
(contudo, reserva algumas sementes)
que não te seja ancora o beijo da mulher amada.
Vai!

Não receie molhar os pés ou sentir vazios n’alma...
teus olhos secarão ao sol,
tua boca secretará apenas sal
(mas, por favor, preserva o sangue de tuas veias)

Não te demores,
a maré não aguardará sonho nenhum,
então, que aprendas logo o valor do tempo.

Temerás a noite sem estrelas
e ondas arrebentando sobre teu corpo
Assim mesmo, vai!

Se naufragares, terá valido a pena perder-te na tempestade
Se aportares, estarei à tua espera.
Com algum trabalho, haverá lilases pelos jardins...
portanto, não esquece agora de preservar tuas sementes.
Nelas, passado e futuro.

Agora, é preciso enfrentar o mar.




Lapsos


o velho dicionário amanheceu vazio,

completamente pálido,

sem vermelho,

sem paixão,

sem qualquer sinal do tempo.



saí à cata de palavras

e apenas fórmulas desfilaram entre meus dedos.



sem um sinönimo para pétala,

recorri às flores,

que do jardim, nada disseram

no ar, apenas um cheiro-não-sei-de-que

- será essa a razão das flores?.



o poeta avisara antes:

-as rosas não falam!



rendi-me à física

e dei de cara com a relatividade

nas palavras porventura ditas

por deuses e demônios num tempo de incertezas:

-faça-se Newton! e tudo clareou....*

-faça-se Einstein! e novamente o caos....



-o que será, será?



lanço ao vento minhas dúvidas,

observo pássaros em repouso.

de repente, algo me acerta a cabeça.



Aila Magalhães





*Nature and Nature’s law lay hid in night.
God said - Let Newton be! and all was light.

Versos de Alexander Pope esculpidos no túmulo de Isaac Newton (1642-1727), na Abadia de Westminster, em Londres, Inglaterra.

-It did not last: the Devil howling :Ho!
Let Einstein be!” restored the status quo.

Versos de John Squire (1884-1958) acrescentados ao epitáfio de Alexander Pope para Newton, em referencia a Einstein




s e r e n a t a


pequenos sons escapulindo da escuridão
e uma brisa cuidadosa de quase-manhã
embalam com placidez as folhas úmidas de abril.

meus olhos domingueiros, um tanto insones,
cumpliciam alguns segredos
da longa noite de outono.

era fria,
era calma a madrugada,
era flagrante
o contraste com o calor dos beijos que sonhei beijar,
dissonante da melodia que ansiei ouvir.

não muito longe,
a vida, que não minha,
aconchegava-se em lençóis brancos de cambraia,
de monogramas bordados em azul,
como um pequenino céu,
pousado eternamente sobre um abraço de amor.

fechei a janela, descansei o olhar amorfo.
na vitrola, a serenata acalentando um sonho bom.
quem sabe um dia ...



e daí?



não me recordo o dia.

tinha cara de segunda,

corpo de preguiça, olhos de sono,

marcas de batom mal disfarçadas pela roupa.



sim, bem poderia ser segunda-feira,

daquelas quando, qualquer um,

sem eira e nem beira

poderia adivinhar o grande final.



sim, poderia ser qualquer dia,

pois são iguais os dias de quem espera

sem que dúvidas ou certezas atropelem o calendário.



naquela manhã ,

chovesse ou fizesse sol,

estaria ali novamente o vazio

exceto por algumas moscas

infernizando as orelhas do cão.

enviada por noz



16/06/2005 21:31



laços


Ah! esses teus olhos
vitrines um tanto fog
de longas noites vazias
a contemplar fantasmas
ao silëncio das marés vazantes...
- olhos minguantes!

feito capitus,
pouco revelam,
mas em soslaios, iluminam.
-olhos de santelmo!

Ah! esse olhar de esconde-esconde,
pisca-pisca dobrando esquinas,
a colher ninhos do passado
e lentes do futuro...
-olhar de madrugada!

ah! esse olhar de marinheiro
adivinhando terra
por detrás da linha horizontal
que nos separa.
-paralelamente!

aila magalhães


enviada por noz



15/06/2005 10:17


em algum lugar ao redor de Itaca

à espera

que adormeça a noite
que desperte o dia
que assopre o vento
que atraque o barco
que entorne o vinho
que desabe o corpo
que arrefeça o medo
no tardar da morte...

não vem do medo

que arrefeça o vento,
entornar o barco.
que adormeça o dia,
assoprar a noite.
que desperte o corpo,
atracar o vinho.
que se espere a morte, cedo ou tarde...

sem hora, sem medo
adormeço
sem vento, sem barco
naufrago
sem vinho, sem corpo
me desconheço.

aila magalhães




Amar-te-ei embora chova, embora chore, embora parta; ainda que seja noite e não haja brisa, poucas serão as saudades do mar porque teu cheiro se aninhará em minha lembrança e tua voz embalará meus sonhos. E quando tudo parecer perdido, terei teus olhos como estrelas, guias em meu coração, para amar-te até que a vida nos separe, até que o tempo nos reúna.



enviada por noz



08/02/2005 14:06
dali

vem,
inunda esta vã realidade
de um sonho eterno e bom..
enviada por noz



21/01/2005 15:17

(fonte: Blogue Suite Blogue)
enviada por noz



21/01/2005 15:13
rotas

a cada dia, um sol
de sal da de
montes
por trás
e por frentes
poentes
nascente-e-foz
nos? noz? nós?
um beijo-caravela
navega o álveo corpo
e naufraga. entrementes,
ato-me
contraio-me
expando-me:
sal, moura, mar!
batismo pagão
nas águas invisíveis
de um leito qualquer...

enviada por noz



21/01/2005 15:10

enviada por noz



21/01/2005 15:07
soul & side

não há mais tempo de esperar pelas bromélias.
deixo-te a semente.
não é sensato celebrar tristezas.
deixo-te o passado.
impossível ver crescer frutos do ventre
confio-te o futuro.

vai...
quando for noite, haverá estrelas
se não houver, acenderás fogueiras.

vai...
quando sedento, beberás da fonte
sem fonte, beijarás a boca
que aplacará tua sede.

vai...
não há tempo para bilhetes.
deixo-te um sorriso e os livros que não li.

vai...
antes, apenas deixa-me a canção
baixinho, muito baixinho, quase um sussurro...
não estaremos sós.

se por acaso chegar-te a saudade,
plante uma semente, acenda uma fogueira,
ouça uma canção, sinta o cheiro do mar,
inspire o passado, expire o futuro.

depois, deixe tudo seguir com o vento.


enviada por noz



20/01/2005 08:18

(fóssil da região do cariri - jornal "o povo")
enviada por noz



20/01/2005 08:12
in_sight



Persiste ainda uma tristeza, inadequada ao tempo que me circunda.
Um tempo de rostos sorridentes, corpos suados, gozos explícitos.
Também persiste uma solidão, inadequada ao tempo que em mim passeia.
Um tempo de multidões nos quatro cantos do mundo e olhos através das janelas.
Paro um instante a perguntar-me sobre as cores de todas as coisas e nem todas as palavras ou ciências são capazes de responder-me sobre o azul que tinge um olhar de saudades.
Procuro por companheiros que me tragam algum alento, que me façam algum carinho ou indiquem um novo rumo.
Chego ao farol. Não, não temo a Casta ou a tormenta dos fantasmas que povoaram sua mente e ainda rondam suas memórias. Ao contrário, puxo-lhe o braço e confesso-lhe invejas.

Quantas maneiras haverá de se morrer sem que se morra para sempre?
As águas calmas, o cômodo enevoado por mortal perfume, a lâmina fria de um trilho noturno, uma singela picada, o estampido rouco, a fibra voraz do sisal...

Há lá fora um dia inadequadamente azul e quente. Nenhuma nuvem. Nenhuma gota de chuva. Nenhuma promessa de vento. Somente cor e calor.
Cá, um cheiro de orquídeas, um gosto de nada, uma sede de vinho.
- Pai, dá-me de uma vez aquele cálice!


enviada por noz



03/01/2005 10:56

enviada por noz



03/01/2005 10:53
ex_ treme

contra diz
com densa
parábola

nega ação
só pesa
sentença

partes são
coisas
outras não



enviada por noz



03/01/2005 10:52

enviada por noz



03/01/2005 10:50
lú di ca

quero brincar com palavras
quais pecinhas de dominó
que se encaixam umas às outras,
ou um grande quebra-cabeças,
onde a palavra [certa] há de caber.

quero ser par
deitar na rede
de pá em pá,
parede...

aparar o ti-jo-lo de paulo
mirar o ohlepse de narciso
[abrir a] b o c.............
...........e t a [de pandora].
en+ilhada na vida,
subir à nau, usar anel, celebrar anal
et cetera e tal.

querido diário,
extra! extra! extra!
prezados senhores:
do-sol-fa-mi-la-re-si, dói?

começar do fim: adeus!
re-começar: era uma vez...
tudo de novo, tudo de novo: bis!

quando cansada, zzzzzzz...
se dolorida, ai!
n'alguma dúvida, hã?
que frio, brrrrrrrr!
bah, oxente, uai... por aí vai...

terá começo,
será sem fim?,
ou apenas pausa, assim...

enviada por noz



01/01/2005 18:30

enviada por noz



01/01/2005 18:11

acordo com gosto de bolhas e mar...
não, hoje lá não mais irei. guardarei em minha memória, até o outro
velho ano novo, o momento do acontecer.

tanta luz! estrelas?

decido cozinhar o que mais gosto. de novo o mar, seus frutos, que vou
colorindo aos poucos.
cebolas brancas, alho, cheiros verdes, pimentões vermelhos pimentas
amarelas, pimentas de cheiro...o sal da terra a meu dispor!
um molho onde molho a língua e mil gostos...

música. nonato luis e seu violão. beatles4ever?

de novo o mar.
pulei as sete ondas e gritei saudades!!!
fiz desejos de mil e uma noites. fiz desejos de todas as manhãs...
tempo!

bom dia. boa tarde. boa noite.
todos os tempos em um único momento. eternidade.
eternizo o momento e agora é para sempre!

estou só. escolhi estar só neste meu instante.
não estou tão só, afinal.
comigo, o resto do mundo, o resto do tempo.
devir.

pensamento. devaneio.
música!
canto uma canção.
não é triste. é música.
triste poderei ser eu.
sim, alguma tristeza.
sinto as dores do mundo, como em um parto, parto-me em duas.

divi_dida

não queria
ser deus,
só duas...


sou outra.
nova em folha, descubro outro caminho, dou outros passos.
sem medo, caminho pelas pedras. vou.

um cheiro de mar, um cheiro de a_mar.
tudo está tão próximo,
como se fosse ali, do outro lado da esquina.

daqui a pouco será noite.
a lua virá pela metade.
estrelas virão aos montes. como pirilampos.
estrelas são pirilampos no céu.
pirilampos, estrelas da terra.

penso um beijo.
então beijo uma saudade.
e agora, vou.

ainda é cedo.
felizmente, felizmente.
um dia novo e grande me aguarda.
feliz ano todo, todo dia, toda noite.
e um outro beijo.


enviada por noz



01/01/2005 18:10




gabriel arcanjo

na tradição católica, Gabriel é associado às boas novas. foi o anjo escolhido para anunciar à Maria a vinda do Cristo, mas não é sobre este Gabriel que desejo falar, embora o simbolismo do anjo seja relevante.

no dia 5 de setembro deste ano, em um bairro pobre da periferia, dois adolescentes brincavam no campinho de futebol, uma das poucas opções de lazer disponíveis na comunidade.

avistaram ao longe algo estranho e como todo adolescente que se preza, foram descobrir do que se tratava. um bebê prematuro, com menos de um quilo e meio, ainda com o cordão umbilical, fora enterrado em um buraco de cerca de vinte e cinco centímetros. apenas os pezinhos ficaram de fora.

gabriel ainda vivia.

levado para um hospital, tratado e cuidado, gabriel ganhou há pouco uma família. para o pequeno gabriel, o ano novo representa vida nova, onde possa respirar livremente, amar e ser amado.

para a maioria das pessoas, final de ano é época de festas, presentes, cobranças e promessas. poucos a atravessam indiferentes.
a mim, causa sentimentos contraditórios. é sempre no final de ano que busco avaliar se tomei as rotas certas, o que carreguei a mais, o que deixei de importante pelo caminho. avaliar é processo que exige cara limpa, verdade, humildade, exige estarmos abertos para a dor sem desesperar. uma capacidade para lidar com o novo sem abandonarmos necessariamente o que envelheceu. resgate e conquista.

no ano que chega, desejo a mim mesma um pouco mais de fé: nas pessoas, em sua capacidade de surpreender e recomeçar.

aos amigos, desejo, além do que se deseja a todos os seres humanos, que haja muitos motivos para alegrarmo-nos uns com os outros e pelos outros. que estejamos juntos, mesmo quando distantes.
sabermo-nos. sentirmo-nos.

Feliz 2005 !

aila magalhães
(foto: blog suite blog)

enviada por noz



30/12/2004 11:25


quem me dera poder ser
eu própria, hoje, a mulher,
viva, tal qual nos versos,
aquela que é quem é...

permitir que o desejo
um quase gozo, em curso
não me fosse apenas verso,
mas movimento, (im)pulso

trocar a pena pela mão
um como, por um assim
ser mais que sonho, holograma
mais que um talvez, enfim!

abandonar-me ao momento
ser imagem, pele, calma
entregue, sem medo, ao tempo
deixar-me esculpir corpo e alma

que verso hei de escrever
que palavra hei de falar
que gosto hei de sentir
que beijo haverei de dar...

serei ponto ou serei vírgula,
vicissitude ou intento
serei todo ou serei parte
serei pra sempre ou momento

quem sabe responderia
o corpo cheio de paixão
dizendo nas entrelinhas
um sim, mesmo se dissesse não

volto à palavra presente
e outra vez um não-saber
mas presente é qualquer tempo
quando se deseje ser

redesenho a melodia
mi menor e si maior
um dueto em harmonia,
sem intervalos em dó...

no final da partitura,
o melhor do espetáculo:
nós, a noite, o ato e só.
sem palavra, nota ou fato

enviada por noz



28/12/2004 13:38



para registro

andei por aí reparando no charme dos homens de
cinquenta.
é bem verdade que já não vestem 42
e nem são mais convidados para comerciais de shampoos,
mas há um quê absolutamente encantador em tais
criaturas.
um ar mais grave no olhar,
um sorriso comedido,
uma disfarçatez à qual escapa o leve tremor das mãos
frente ao inesperado.
gosto de vê-los sonhar. quietos, parecem fazer planos,
traçar estratégias e sorriem de leve, enquanto
intimamente gargalham entre alegres e nervosos.
agrada-me particularmente um homem de cinquenta,ou de
quarenta, ou de sessenta, aos cinquenta.
ele conhece de velocidades, intensidades, pressões e
desfaleceres.
a palavra certa brinca por sua boca, o silêncio
aprendeu a cochilar em seus lábios enquanto seus olhos
dizem o que for preciso.
me atrai imensamente o andar tranquilo, quase em
passeio, sem pressa de amanhã, sem saudade do ano
passado. senhor absoluto de seu tempo.
é um prazer vê-lo escolher um vinho com a calma de
quem conhece o cheiro das uvas, saborear um livro como
se revolvesse o mundo oculto em cada palavra, sorver a
melodia de cada nota, em alimento, observar o mundo
como obra em construção.
infelizmente não são tantos os homens de cinquenta.
felizes as mulheres que têm a sorte de cruzar com
algum deles na vida. se o dia for de sol, valerá a
sombra de uma árvore, uma água geladinha, o cheiro do
mar... mas se for chuva, certamente gostarão de se
molhar!



enviada por noz



23/12/2004 12:48

enviada por noz



23/12/2004 12:46
pediram-me uma palavra...


paz, foi a primeira a me ocorrer.
o mundo anda tão guerra, tão pouco irmão,
tão diver_gente...

então, lembrei-me de amor.
que fazer sem ele?
que vazia, a alma.
que inútil, o coração...

ah..mas e a alegria?
tenho visto tanta tristeza,
tanta dor!
que vale a vida sem alegria?

ocorreu-me ainda a beleza,
mas lembrei-me a tempo que para vê-la,
é preciso carregar o amor nos olhos!

daí lembrei-me da bondade!
e novamente lá estava ele, o amor,
sem o qual, não há como ser bom.

outras palavras desfilaram por mim:
justiça, liberdade, solidariedade...

foi quando percebi,
que tudo começa e termina
na fé.

o que quer que acreditemos, será possível!
assim, esta é minha palavra mágica:
fé!

na vida, para que haja futuro
no amor, para que brote a beleza
na paz, para que reine a alegria
na justiça, para que se espalhe a liberdade.
fé em si mesmo, para transformar o que se vê,
fé no invisivel para transformar a si mesmo.

é esta varinha de condão, pessoal, intransferível, que desejo que cada um de vocês possa encontrar, seja através de Jesus, Jeová, Moisés, Alá, Maomé, Yemanja, O Sol, a Lua, Fadas ou duendes...

a fonte, é apenas um local onde saciar a sede.

aila magalhães


(meu obrigado a Marcia Maia, pelo pedido)
enviada por noz



20/12/2004 19:09

enviada por noz



20/12/2004 18:51
pois é...
enviada por noz



20/12/2004 18:46
geografia


foi so entao que soube sol
aquele olhar noturno,
que demarcava a fogo o espaco geografico de meu corpo.
(chama)

logo em seguida,
cedendo a calida boca [cachoeira]
deixei-me banhar de cheiros
(rubra flor)

desejei o mergulho sinuoso
de tua lingua cumplice, curiosa,
a esgueirar-se atraves de grutas, planícies , planaltos...
(vai chover!)


e como magica, em um segundo,
mil mãos mistrais
a desfolhar-me como se outono fosse...
(abandono-me!)


impossivel nao sentir
todas as pétalas em chuva sobre meu corpo
um bicho-da-seda passeando por sobre a pele
(nuvem?)



escuto ao longe vozes de trovão, sinos de vento..
cantigas marinheiras
e sigo os rastros de teus desejos
(um mar sem fim)


vejo-te terra: rocha a erodir-se sobre meu corpo,
sinto-te fogo:vulcão em breve erupção,
lava que faz-se rio, desagua dentro de mim...
(tempestade)


quando amanhece, em calmaria
finalmente somos todos e somos um e ja nao mais.
remidos os desejos...
( paz! )


enviada por noz



20/12/2004 16:14

enviada por noz



20/12/2004 16:13
desassossego

atravesso a noite
no meio de um furacão chamado tempo.
rajadas de vento riem-se de mim
e tingem meus olhos de um medo,
de quase púrpura cor.

chego a pensar
ser melhor entregar-me ao vento,
deixar-me levar na escuridão
da noite sem estrelas
sem norte
sem chão
sem cão.




enviada por noz



20/12/2004 12:35


enviada por noz



20/12/2004 12:33
des_esperar

nasce o dia e um novo ciclo recomeça.
e somos nós, e somos outros, e somos sós.
onde andará o amor de outrora,
que me fez crer no eterno, e sumiu depois da festa?
onde estarão meus sonhos de anteontem?
a vista, já cansada, já descrente, já não vê..
tal qual pássaro que perdeu seu ninho e voa ao léu,
espinho sem roseira que encante o ser,
barco sem leme, vento sem direção,
dor sem promessa de cura.





enviada por noz



20/12/2004 11:37

enviada por noz



20/12/2004 11:29
Metades


por todas as metades que há na vida, choro.
os desencontros
nos minutos de atraso no ponto do ônibus,
o beijo que não se roubou...

pelo dia, que caminha solitário ao encontro da noite
e em seu colo jamais desperta,
pelo sol, que ilumina a lua, sem com ela compartilhar os seus efeitos, choro.

lamento tanto pelo deserto árido que não encontra oásis, e sedento, se espalha em pranto.
choro a solidão do mar, gigante em buscas e perdas constantes!

mas de todas as metades desencontradas
dói-me mais as almas gêmeas, que desgarradas,
dobraram esquinas em sentido oposto

lamento a palavra não dita, o grito engasgado,
a música silenciada
o poema guardado na gaveta
cheio de traças e bolor.

minha dor vai se espalhando
e toma minhas mãos,
as mesmas mãos que nunca te tocaram
mas acenaram após a partida,
e cuidadosamente juntaram a areia que esculpiu tuas pegadas...

toda a dor, toma conta de meus olhos,
que cheios d’água
perdem-se dos teus
e em segundos
são apenas estrada vazia.

perco-me na busca.
me desconheço.
não há caminho.
nem sonho.




enviada por noz



20/12/2004 10:52


enviada por noz



20/12/2004 10:46
Ponto final


não ouvirás novamente a minha voz
meus versos não mais chegarão aos teus ouvidos!
meu corpo não viverá o teu prazer
não haverá tremores ou suores,
não haverá beijos de despedida
nem despedida haverá.

será apenas o vazio das palavras, gestos, atos,
ocupando o espaço das promessas
que também foram vazias.

não haverá mais promessas
exceto esta, a última,
entre todas, a real:

te esquecerei.
é promessa em forma de sentença que faço agora.
e ponto final.

nada de vírgulas,
ou reticências.
alguns pontos de interrogação
ficarão vagando por aí
até que um dia...






enviada por noz



20/12/2004 10:23






estrela que cai é pedra


era só uma pedrinha de rio
(daquelas meio longe d’água
e que por isso não ficam redondinhas)
até que, sem querer, feri-te os pés.
foi então que tornei-me pedra do rio,
cheia de identidade.
avermelhada por teu sangue, tornei-me única
ganhei ares belicosos, um tanto góticos...
de repente, virei bad stone!
quando teu pé inflamou,
tive meu status melhorado em toda a comunidade ribeirinha.
poderosa, tornei-me a pedra do rio,
quinze minutos de fama e já era então cristal de rocha.
logo depois veio a gangrena
e pensei que seria para sempre, como diamante...
mas sem o pé, voltei a ser a velha e malformada pedrinha de rio.
apenas uma mancha a mais.
enviada por noz



17/12/2004 16:33

enviada por noz



17/12/2004 16:29
AMIGO

Há certas horas, que não precisamos da paixão desmedida
Não queremos beijo na boca
E nem desejamos corpos a se encontrar
na maciez da cama...

Há certas horas,
Que só queremos a mão no ombro,
O abraço apertado
Ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado
Sem nada dizer....

Há certas horas,
Quando estamos quase pra chorar,
Que desejamos a presença amiga,
A nos ouvir paciente,
A brincar com a gente,
A nos fazer sorrir...

Alguém que ria de nossas piadas mais sem graça
Que ache as nossas tristezas as maiores do mundo
Ou que nos teça elogios sem fim...
Mas que apesar de todas essas mentiras úteis,
Nos seja de uma sinceridade inquestionável...

Alguém que nos mande calar a boca
Ou nos evite um gesto impensado
Alguém que nos possa dizer:
Acho que estás errado, mas estou ao teu lado...
Ou alguém que apenas diga: Amo você!

enviada por noz



17/12/2004 16:13

enviada por noz



17/12/2004 15:54
pássaros voam

mas o ser livre,
pesa mais que asas,
é mais trabalhoso que voar ...


enviada por noz



17/12/2004 15:38

enviada por noz



17/12/2004 15:35
54 dias



O relógio marcava 11:45 quando o ônibus apontou na esquina.
Lotado, como sempre.
Imprensada entre a porta e os degraus senti-me a própria sardinha,
mergulhada em lata úmida, enferrujada.
Em um minuto toda a náusea da cidade veio à tona através de meu estômago.
Chovia sobre mim. Olhos sobre mim.
De repente, do meio de toda aquela confusão, um cheiro peculiar.
Tarde demais. Descubro-me oca.
Desafeto.


enviada por noz



17/12/2004 15:33

enviada por noz



17/12/2004 15:31
do bom, belo e aparentemente justo.


Maria tanto amava que ardia..
Mas até o último suspiro negaria...
Era direita, a Maria.
Só que todo santo dia numa saída ela pensava
Bolava, rebolava, revirava.
Nem mais dormia, a Maria.
Ainda honesta,
enlouquecida, definhava..
(nada bom)

Foi então que conheceu Teresa.
Era bem puta, a vadia.
(faria o que o Zé gostava
que era também o que queria)
(o duplamente bom)

Maria deu ao Zé , de presente, a Teresa
E a si própria, deu João e deu ao João...
Zé ficou alegre de repente.
Cantarolava. Assobiava. Até sorria!
Trazia flor pra Maria.
Comprava carne de primeira.
Vestido novo de chitão...
Nem cogitava um João!!!
(mas era justo, justíssimo!)

Enquanto isso a Maria
Agradecida ( e direita )
Trabalhava à tarde
E à noite dormia.
Cansada e feliz
Com o seu Zé, a Teresa
E com João., a Maria!
(bonito, muito bonito, dona Maria!)

"Quem em prol da sua boa reputação, não se sacrificou já uma vez a si
próprio?" (Nietzche)

enviada por noz



14/12/2004 18:03

enviada por noz



14/12/2004 18:02
é por essas e outras...

ontem, durante a terapia,
descobri algo importante:
não sou quem eu pensava ser, ou
quem gostaria de ser, ou
quem me permito ser, ou
quem imagino que pensem que eu seja, ou...
que merda!
além de não saber nada sobre mim,
ainda esqueci o que o terapeuta sabe!


enviada por noz






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